Acordo Nuclear Iraniano: um controle de armas entre adversários e não um abraço entre amigos


Participam da negociação, de um lado, os 5 membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (P5) e Alemanha (1); e de outro lado, o Irã.

O principal objetivo das negociações com o Irã trata de prevenir o país persa de construir uma bomba nuclear de forma rápida ou clandestina.

Já que desmantelar toda a infraestrutura iraniana é algo improvável, as negociações concentraram-se no controle (via agência internacional de energia atômica) da quantidade de urânio enriquecido pelo país por meio de um redesenho de suas capacidades. Dessa forma, ao invés de se levar alguns meses para a construção de um armamento nuclear, o Irã precisaria no mínimo de um ano. A ideia é manter o Irã sob estes parâmetros por pelo menos uma década.

Se tudo der certo, as sanções econômicas impostas ao Irã pelo Conselho de Segurança da ONU serão, paulatinamente, extintas: sanções sobre as exportações de petróleo iraniano, importações de tecnologia empregada no setor de produção petrolífera e a expulsão do país do sistema internacional de transferência interbancária de dinheiro - SWIFT.

O acordo não trata de outras sanções pertinentes ao comportatmento do Irã no que diz respeito aos direitos humanos, apoio ao terrorismo ou mesmo ao seu programa de mísseis balísticos.

Tanto as especificações pertinentes ao controle sistemático das instalações iranianas quanto às penalidades pelo descumprimento do acordo precisam ser detalhadamente acordados até o dia primeiro de julho de 2015. Tudo o que se tem, até o momento, é uma carta de intenções.

Principais pontos do acordo:

  • O Irã se compromete em reduzir de 19.000 para 6.000 o número de centrífugas de enriquecimento instaladas no país.

  • Todas as suas centrífugas serão de primeira geração: nenhum modelo mais avançado poderá ser usado nos próximos dez anos. Pesquisa e desenvolvimento de centrífugas mais modernas terão de ser submetidas à IAEA.

  • A instalação de Fordow, segunda mais importante do Irã – a primeira fica em Natanz, será transformada em um centro de pesquisa em física. Não produzirá nem abrigará nenhum material físsil por pelo menos quinze anos.

  • O Irã reduzirá o estoque de urânio pouco enriquecido (que pode ser enriquecido para utilização em uma bomba) de 10.000 kg para 300 kg em um intervalo de 15 anos.

  • O reator de Arak que teria produzido quantidades significativas de plutônio para utilização em armas será destruído. Nenhum reator do mesmo tipo será construído por 15 anos.

  • O acordo também prevê que o Irã irá abordar as preocupações da AIEA sobre o que ele chama as possíveis dimensões militares (EPM) de seu programa nuclear

O primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu e o Partido Republicano são críticos do acordo. No lado iraniano, membros da Guarda Revolucionária Iraniana que controlam as instalações iranianas que serão, sistematicamente, vistoriadas pela IAEA também se opõe ao acordo.

Da mesma forma que a população iraniana deseja ver a economia de seu país voltar à normalidade, os norte-americanos não parecem muito inclinados na direção de um confronto bélico com intuito de impedir a produção de uma bomba atômica pelo Irã.

Ainda é cedo para prever os desdobramentos desse acordo para a política externa norte-americana e seus impactos para a geopolítica no Oriente Médio. No entanto, levando-se em consideração o histórico de mais de três décadas de hostilidades entre Estados Unidos e Irã, um acordo ruim pode ser melhor do que acordo algum em um contexto de reaproximação entre os dois países. Esperemos os desdobramentos vindouros.

Fonte: http://www.economist.com/blogs/economist-explains/2015/04/economist-explains-3


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