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  • Robson Valdez

Cuba e Estados Unidos: a expectativa de uma foto histórica


Os presidentes dos Estados Unidos e de Cuba não apertam as mãos em um "encontro oficial" entre os dois Chefes de Estados há mais de cinco décadas. Nesse sentido, levando-se em consideração os recentes sinais da distensão entre os dois países, é possível que este simples gesto entre chefes de estado torne-se algo histórico e carregado de simbolismo. O palco para a tão esperada foto será a Cúpula das Américas que ocorrerá durante os dias10 e 11 de abril na Cidade do Panamá, no Panamá.

Ainda que apenas três rodadas de negociações (desde dezembro de 2014) não sejam suficientes para rever um embargo comercial de 54 anos, existem grandes expectativas em torno deste encontro. No que diz respeito ao embargo em si, Presidente Obama já o considerou um fracasso em todas as suas dimensões.

  • Os que defendem o bloqueio comercial são os cubano-americanos da mesma geração dos irmãos Castro e que agora representam uma inexpressiva parcela do eleitorado americano.

  • Os cubano-americanos menores de 65 anos aprovam o fim do bloqueio comercial e a reaproximação diplomática entre os dois países. Foi justamente este eleitorado que ajudou Obama subir ao posto maior da política norte-americana. Reatar com Cuba pode significar recuperar o apoio deste eleitorado, melhorar a imagem dos Estados Unidos na América Latina e desbancar a influência do cambaleante chavismo na região.

  • A morte de Chavez, principal fornecedor de petróleo subsidiado da ilha, e a queda no preço do petróleo podem ter motivado a busca por novas fontes de moeda forte: Os Estados Unidos!

  • O lento processo de abertura econômica de Cuba, iniciado em 2008, ainda não se traduziu em resultados mais robustos.

  • Cidadãos americanos agora viajam com maior liberdade para Cuba e lá deixam seus preciosos dólares. O recente otimismo na Ilha pode ser visto no número de bandeiras norte-americanas hasteadas nas casas das pessoas.

  • Empresas norte-americanas nas áreas de hospedagem de sites de internet, a Netflix e empresas na área de telefonia móvel já fazem uso das novas regras anunciadas pelo Governo Obama para, de alguma forma, “burlar” o monopólio estatal desses serviços em Cuba.

  • As novas regras beneficiam mais de 400.000 cubanos que trabalham em pequenos empreendimentos particulares como restaurantes, pousadas, e empresas de serviços.

Especula-se que a prioridade da diplomacia cubana seja a retirada do país da lista negra dos países apoiadores do terrorismo. Esta demanda seja, talvez, a condição cubana para a reabertura das embaixadas dos países em Cuba e nos Estados Unidos. O segundo passo, o mais audacioso, que trata do levantamento do embargo comercial pode ser o mais crucial para o regime cubano. A cautela do governo cubano diz respeito ao risco de que uma onda, descontrolada, de comércio e investimento possa representar um risco à sobrevivência do próprio regime.

O otimismo crescente em meio à população cubana só será correspondido, no entanto, se o regime cubano rever sua forma de controle estatal sobre o qual foi construído ao longo das últimas cinco décadas.

fonte: http://www.economist.com/blogs/economist-explains/2015/04/economist-explains-5


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